Novo tipo de coração artificial é testado em Fortaleza


Hospital de Messejana

Equipe do programa Coração Artificial, no Hospital de Messejana, faz segundo teste em animais utilizando um novo dispositivo para pacientes que precisam de transplante de coração

Alessandro Verona Larissa Lima
da Redação

30 Mar 2009

Há mais de 45 dias não é realizado um transplante de coração no Ceará. Enquanto o tempo na fila por um novo órgão aumenta, a equipe do programa Coração Artificial, do Hospital de Messejana, obtém resultados animadores com os primeiros testes de um novo dispositivo, que pode prolongar a vida dos pacientes. Do tamanho de uma pilha normal, ele pode ser implantado dentro do coração do doente e normaliza o bombeamento de sangue para o corpo.

Por enquanto, o “AX-Tide”, que é por definição um dispositivo de assistência ventricular (DAV), e é bem menor que o tradicional, só foi testado por aqui em bezerros. O primeiro experimento foi feito no final de janeiro e o segundo no último dia 14 de março. Mas, nos Estados Unidos e na Europa, dispositivos semelhantes já são utilizados na rede hospitalar. “Nos Estados Unidos, teve um paciente que viveu durante sete anos e faleceu de outra coisa, um câncer de próstata”, exemplifica o coordenador cirúrgico da equipe de transplante cardíaco do Hospital de Messejana, Juan Mejia, responsável pelo programa Coração Artificial.

Os resultados dos testes do novo coração artificial são acompanhados em Fortaleza pelo seu inventor, Alessandro Verona, da Universidade de Milão. “Os resultados foram ótimos, o funcionamento foi ótimo. Vamos prosseguir com os testes experimentais pré-clínicos para conseguir muito mais rapidamente a aprovação da aplicação do dispositivo em seres humanos”, afirma o pesquisador. O aparelho pode ser usado para manter o paciente vivo até o transplante, como um tratamento ou até para ficar com a pessoa até o fim da vida.

Juan Mejia explica que esse tipo de aparelho é recomendado para o paciente com o perfil “daquele senhor de 70 anos, possivelmente diabético, ou que tem um perfil que não poderia entrar na lista de transplantes, mas não responde ao tratamento com remédios”. Segundo ele, o programa Coração Artificial pretende obter estatísticas suficientes com os procedimentos realizados em Fortaleza para convencer o Ministério da Saúde a incluir a implantação desse tipo de aparelho na lista de serviços cobertos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Pioneirismo
O Hospital de Messejana é pioneiro no programa de Coração Artificial. Das oito cirurgias realizadas em todo o Brasil em 2008, três foram no Hospital de Messejana, no primeiro ano de atividades do programa. A equipe utilizou um outro tipo de dispositivo, externo ao paciente. As três pessoas conseguiram esperar pelo transplante e sobreviver à cirurgia. Uma delas faleceu 60 dias após o procedimento e os outras estão bem. Em 2009, nenhum paciente recebeu um coração artificial, mas a equipe espera mais seis aparelhos para retomar os procedimentos.

O grupo também busca parceiros e investidores interessados em fabricar os corações artificiais no Ceará. “Gostaríamos muito que esse sistema ficasse aqui em Fortaleza, no Ceará, para ser industrializado, e termos no Brasil um dispositivo com um preço mais adequado do que aqueles outros que chegam aqui, com um preço muito alto para nossa realidade”, ressalta Mejia. Os corações artificiais utilizados nos procedimentos feitos no ano passado no Ceará foram comprados dos Estados Unidos, por meio de doações de empresários e parlamentares.

E-Mais

> De acordo com Juan Mejia, a espera por um transplante de coração fica mais longa no Ceará por causa da diminuição de doadores, pelas condições do corpo do doador, que às vezes não é bem conservado, ou pelos casos em que o órgão do doador é incompatível com os pacientes.

> O AX-Tide é um dispositivo de assistência ventricular que funciona como uma bomba, aspirando o sangue da cavidade ventricular do coração e, por meio de um tubo, joga o sangue para o vaso principal do órgão, a aorta. A partir daí, ele leva o fluxo de sangue para dentro do organismo, normalizando a irrigação dos órgãos, antes comprometida pelo coração enfraquecido. A única peça que sai do corpo do paciente é um cabo de três milímetros, que sai da pele para interligar o paciente a uma bateria e a um equipamento que controla o fluxo de sangue.

Enquanto o AX-Tide não é utilizado em humanos, o programa Coração Artifical continua a realizar procedimentos com o mesmo modelo do ano passado, um equipemanto de primeira geração.

Atualmente, quatro pessoas estão na fila por um transplante de coração no Hospital de Messejana. Outros seis pacientes estão sendo preparados para fazer parte do cadastro para entrar na fila.

NÚMEROS

31 TRANSPLANTES DE CORAÇÃO FORAM REALIZADOS NO HOSPITAL
DE MESSEJANA

200 TRANSPLANTES FORAM REALIZADOS EM TODO O PAÍS NO ANO PASSADO.

Fonte: http://www.opovo.com.br/opovo/fortaleza/866349.html

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