Drauzio Varella e os transplantes


O médico estreia uma nova série sobre o assunto e descobre que o problema no Brasil não é a falta de órgãos, mas a falta de recursos médicos para aproveitá-los
 No dia 12, o médico Drauzio Varella estreia mais uma de suas ótimas séries exibidas no Fantástico, da TV Globo. Desta vez, o nome será Transplante, o dom da vida. Drauzio passou mais de um ano trabalhando no tema. Viajou pelo Brasil e para países como China, Espanha e Estados Unidos para conhecer de perto realidades que podem contribuir para a melhoria do sistema brasileiro. Teve tempo e dinheiro à vontade para apurar o que fosse necessário, um investimento raríssimo na imprensa brasileira. Conversei com ele nesta semana para saber o que descobriu.Assim como os bons repórteres, Drauzio acha que nada substitui o trabalho de campo. As ideias preconcebidas que temos antes de começar a apurar uma reportagem e toda a discurseira que ouvimos na redação costumam cair por terra quando encaramos a realidade como ela é. Na área de saúde (e acho que nas outras também), isso acontece o tempo todo. Drauzio tinha a convicção de que faltam órgãos para transplante porque as famílias dos mortos não aceitam doar. Durante a apuração das reportagens, aprendeu que estava errado. Em São Paulo, 70% das famílias aceitam fazer a doação. A cada ano, o estado registra 14 mil mortes encefálicas. Isso significa que haveria quase 10 mil doadores potenciais a cada ano. Em 2008, no entanto, o estado que concentra o maior número de transplantes do país realizou apenas 1.317 procedimentos desse tipo.As filas não andam porque a captação de órgãos no Brasil é muito deficiente. A captação é o nome técnico para a série de procedimentos necessários para que a retirada dos órgãos se concretize. O cadáver precisa ser mantido num leito de UTI e receber uma série de cuidados para que os órgãos não entrem em sofrimento. Além disso, o médico que relata o óbito à central de transplantes precisa preencher uma papelada que toma um tempo que ele simplesmente não tem. “Quando o médico tem dez doentes para cuidar e ainda precisa zelar pelo cadáver, ele escolhe os vivos”, diz Drauzio Varella.
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http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EMI66985-15230,00-DRAUZIO+VARELLA+E+OS+TRANSPLANTES.html
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