Transplantes já salvaram mais de 1.300 vidas no Pará


     
Da Redação
Agência Pará
O Hospital Ofir Loyola já realizou, em 15 anos, 1.325 transplantes de órgãos. Os dados são da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos (CNCDO), da Secretaria de Estado de Saúde do Pará (Sespa). Na semana passada, mais três procedimentos foram realizados com sucesso pela equipe hospitalar. 

Os rins de uma dona de casa, vítima de assalto na capital paraense, que teve morte cerebral, devolveram a vida a uma mulher de 41 anos e um jovem de 19, ambos de Belém. Outro paciente, um homem de 43 anos, também recebeu um rim novo de uma doadora do Acre. Nos três casos, a doação dos órgãos foi possível graças a autorização dos familiares das vítimas.

 

No Pará são feitos transplantes de rins, córneas e coração. De acordo com o médico Paulo Cartágenes, coordenador da Central, após o diagnóstico de morte encefálica de um paciente, começa a ocorrer todo o processo que envolve a doação, captação e recepção de órgãos. A família do paciente, depois de ser consultada, é quem decide a doação.

 

Não é fácil dar uma resposta positiva em um momento de dor e tristeza. Por isso, a palavra de ordem para a equipe do CNCDO é solidariedade. O engenheiro mecânico Antônio Augusto Coelho de Souza, 52 anos, sabe o que é isso. Em 2002, ele recebeu um coração novo e teve uma recuperação fantástica.

 

Antônio sofria de uma cardiopatia congênita, sentia cansaços, palpitações, falta de ar, baixa resistência e poderia ter pouco tempo de vida sem o transplante. Ele entrou na fila de espera de órgãos e, com 22 dias, apareceu um coração compatível. “Com 35 dias recebi alta, com 50 dias voltei a trabalhar e com 60 já estava dirigindo”, conta o engenheiro.

 

Hoje, ele reconhece o trabalho feito pelos médicos, enfermeiros e auxiliares do Ofir Loyola. “Tudo foi perfeito, com muita seriedade, profissionalismo e dedicação da equipe da CNCDO. A solidariedade e o zelo da equipe são imensos. Sinto-me ótimo, meu coração tem seis anos, dez meses e 25 dias”, comemora.

 

Dedicação – Com apenas 18 profissionais, o trabalho da CNCDO funciona 24 horas por dia. A Central é composta de técnicos capacitados de várias formações como medicina, serviço social, enfermagem e psicologia, além do pessoal de apoio administrativo. A equipe desempenha atividades que visam coordenar e fiscalizar os transplantes no estado.

 

No momento de doação e captação, transmitir segurança para os familiares é fundamental em todo o processo. “Todas as pessoas que participam da abordagem das famílias são qualificadas, fazem isto com muita dedicação, sendo solidárias e humanas. O diálogo é muito transparente para que a decisão sempre ocorra de forma consensual”, explica Cartágenes.

 

Em 2008, o número de doações chegou a 124 e realizados 123 transplantes, destes 19 de rim e 104 de córnea. Ano passado, também foram disponibilizados sete fígados e três corações que sempre vão para o banco de homoenxerto de Curitiba. Em 2009, somam de janeiro a março, 36 doações e 40 transplantes.

 

Para entrar na lista de espera de órgãos, o médico de cada paciente decide o momento e envia uma solicitação de inclusão para CNCDO do estado. De acordo com dados da Sespa, a fila de espera no Pará é de 1.605 pessoas aguardando por um órgão ou tecido. Estão aguardando por um rim novo 740 pessoas, 862 esperam por córneas e três pessoas aguardam por coração.

 

“Quem vive este drama deve acreditar na vida, ter muita fé em Deus e persistir”, diz Antônio Augusto. “Quem sente amor pelo próximo, pelo seu semelhante vai tomar a decisão certa. Pode ser uma decisão numa hora difícil, mas é uma decisão de amor. A felicidade de salvar vidas é tão grande que ajuda a superar a dor da perda”, finaliza.

 

Diane Maués – Ascom/Sespa

Fonte:
http://www.agenciapara.com.br/exibe_noticias_new.asp?id_ver=42455
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