Banco de Ossos e Tecidos


HOSPITAL UNIVERSITÁRIO
Parceria para captação é pleiteada com o acervo ósseo de Curitiba

Burocracia inviabiliza o Banco de Ossos e Tecidos

O gasto mensal de R$ 60 mil e as várias exigências do Ministério da Saúde inviabilizaram a implantação do Banco de Ossos e Tecidos no HU (Hospital Universitário) de Cascavel.
A proposta de armazenar ossos para transplantes foi anunciada em novembro de 2007 pela direção do hospital. O espaço para abrigar a estrutura foi inaugurado e até contou com a presença da secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Puppato. Mas o projeto não saiu do papel.
As tentativas de viabilização foram várias e todas esbarraram nas partes legal e, principalmente, financeira. “Fizemos várias discussões com o Banco de Ossos de Curitiba, mas percebemos que é inviável. A portaria do Ministério da Saúde, que autoriza a implantação do Banco de Ossos, tem muitas exigências. Para conseguirmos cumprir, teria de haver mudanças na legislação”, afirma o diretor-clínico do HU, Vilson Dalmina.
Antes de descartar a criação do Banco, foram comprados um congelador que resfria até -85°C e destinada uma sala em frente ao pronto-socorro para abrigar a estrutura. “Compramos uma geladeira, mas um Banco de Ossos e Tecidos tem de ter três. Agora a que foi comprada terá outro destino, para guardar os ossos quando fizermos a captação”, afirma Dalmina.

CUSTO ELEVADO

O processo tem alto custo de manutenção. O gasto maior se concentra na preparação do osso, depois que é retirado do corpo do doador. Antes de ser usado em outra pessoa, o órgão precisa ser processado para que não haja rejeição do receptor.
Os preços apontados pela portaria do Ministério da Saúde para o procedimento justificam a desistência da direção do HU. O processamento de uma amostra de 300 gramas de tecido musculoesquelético custa R$ 2.210.
Um acordo com Curitiba para que a Comissão de Transplantes de Cascavel faça captação de ossos tramita desde que foi constatada a inviabilidade do Banco de Ossos local. Com a parceria, pode haver fornecimento e busca do material quando for necessário. Mas Dalmina adianta que essa execução também não é fácil. “Para implantar o sistema de captação, precisamos de equipes capacitadas. Esse treinamento é demorado, pois é feito quando uma equipe de Curitiba vem fazer a retirada [do osso]”, explica o diretor.
Até agora, a equipe de Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes acompanhou dois procedimentos. Segundo o enfermeiro Sérgio de Arruda Dias, que integra a comissão, são necessários três. “Para termos o credenciamento para fazer a captação a equipe tem de acompanhar mais uma ou duas retiradas de ossos”.

 RESISTÊNCIA – Doar ossos não deforma o corpo

Doar órgãos é um ato que as famílias que perdem um ente querido ainda resistem em praticar. Quando se trata de ossos a resistência é maior. “A dificuldade é grande. A família não autoriza tirar os ossos”, revela o diretor-clínico do HU, Vilson Dalmina.
O enfermeiro Sérgio de Arruda Dias, integrante da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes do HU, atua no primeiro contato com familiares de pessoas que morreram. Ele descreve que eles não aceitam retirar os ossos, pois imaginam que o corpo do falecido ficará deformado. “Existe uma resistência geral. Como esse tipo de doação é pouco divulgado, as pessoas pensam na deformidade física”, cita.
Tal deformidade, segundo Dias, não fica visível. Ele explica que no lugar é colocada uma prótese para manter o formato do corpo. “São retirados apenas ossos grandes”, acrescenta o enfermeiro.
Dalmina lamenta que a cultura de doar o material ósseo não seja disseminada em Cascavel, frente à quantidade de doadores que passam pelo HU. O perfil vai além dos doadores que tiveram morte cerebral. Vítimas de homicídio, por exemplo, comuns em Cascavel, poderiam ser doadores ideais. “Um paciente vítima de acidente, ou de homicídio podem ser doadores. O perfil das vítimas de assassinato os coloca como os doadores de ossos ideais pois a maioria é de jovens, tem ossos fortes e não tem doenças. Mas não podemos fazer a retirada sem autorização da família”, afirma Dalmina.

Cada doador beneficia até 30 receptores

Cada osso retirado de um doador pode beneficiar cerca de 30 receptores. Neste ano nenhum osso foi doado pelo HU, mas ano passado foram registrados alguns procedimentos. “É possível fazer enxerto, pó do osso ou anéis”, explica a coordenadora da Comissão Intra-Hospitalar de Transplantes do HU, Gelena Gomes Versa.
Segundo ela, não existe fila de pacientes à espera de ossos, como ocorre com os órgãos. Todavia, Gelena salienta que a quantidade de doações é bem menor que o número de pessoas que precisam.
Podem ser doados tíbia, parte inferior das pernas; fíbula, face lateral da perna; fêmur, osso da coxa; úmero, parte superior dos braços; rádio, parte inferior dos braços e ulna, osso que forma o antebraço com o rádio. Os ossos são usados em pacientes que sofreram fraturas graves ou quebraram os dentes, por exemplo.
Conforme Gelena, a eficácia de um enxerto feito com osso de verdade é muito maior do que se for feita uma prótese. “A rejeição do corpo para o osso de verdade é menor do que para o osso sintético ou de porcelana e o resultado obtido [com ossos artificiais] não é tão bom. Os ossos são usados para quem sofre fraturas graves. Existem casos de a pessoa ter a perna amputada por falta de um osso”.
Após a morte do paciente, os ossos devem ser retirados em até seis horas, que é o prazo de validade do sólido dentro do organismo. Quando extraído, o osso é processado para ficar adequado a outro paciente. Gelena explica que é feita a esterilização, a raspagem e depois a transformação de acordo com a finalidade do material. “O processamento do osso é longo, demora de 15 a 20 dias para que fique pronto. Depois disso, ele pode ficar até cinco anos no Banco de Ossos”.

Fonte:
http://www.estadao.com.br/noticias/suplementos,o-espaco-da-memoria,360669,0.htm
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2 Respostas to “Banco de Ossos e Tecidos”

  1. edson fernando coltri Says:

    semana que vem estarei fazendo uma nova cirurgia total de quadril. para cubrir falhas da 1 vou nescessitar do banco de ossos, NA REALIDADE SERIA 02 CABEÇAS FEMORAIS, meu medico havia me passado um valor aproximado pelo seu conhecimento, porem agora O PREÇO QUASE QUE DOBROU….gostaria de saber como e feito eesse CALCULO FINACEIRO E SE POSSO PAGAR EM MAIS DE 1 X COM CHEQUE OU CARTAO…..POR FAVOR PODERIA ME MANDAR UM E-MAIL….tenho muita urgencia pois a ciruri esta marcada para 6 feira proxima em CASCAVEL-PR, e tenho que enviar o dinheiro pra vcs……esta em minhas maos o orçamento passado por vcs ao medico, po favor nescessito de uma compreençao de vcs….aguardo emuito obrigado.

    • walmasiero Says:

      Edson, não tenho como responder a sua pergunta, mas sugiro que entre em contato com o Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (http://www.into.saude.gov.br), através da Ouvidoria ou o Fale Conosco.
      Esclareço que este blog tem a função maior de estimular a doação de orgãos e tecidos, bem como manter atualizado, na medida do possível, sobre técnicas, eventos, campanhas, etc.

      Infelizmente não pude auxiliá-lo, mas espero que consiga o que deseja. Boa sorte.

      Walkiria

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