Um corpo pode salvar muitas vidas


 
 
Pele e ossos também podem ser doados 
 
[Joelma Gonçalves, do Emsergipe.com]
 
 
Um corpo pode salvar muitas vidas. Essa bela frase resume bem o gesto de uma doação de órgãos. Gesto esse muito difícil, já que ele deve ser tomado num momento onde a família acaba de perder um ente querido.

 

Mas esse sentimento de dor pode ser transformado em esperança, se órgãos e tecidos puderem beneficiar outras pessoas. Afinal, famílias também sofrem ao ver seus parentes numa fila, à espera de uma chance de prolongar ou até mesmo de manter-se vivo. A linha da morte de alguns pode ser a linha do recomeço de uma nova vida para outros.

Centrais de transplantes trabalham dia e noite em todo o país para amenizar o sofrimento de milhões de brasileiros. Rim, fígado, coração, pâncreas, rim/pâncreas, córnea, medula óssea, osso (enxerto) e pele (enxerto). São partes do corpo humano que podem ser doadas.

Mas nem todas as Centrais estão preparadas para realizar todos os tipos de transplantes. Em Sergipe, por exemplo, das nove possibilidades de transplantes, a Central está preparada para realizar apenas três: rim, coração e córnea, além da captação de medula óssea.

Segundo o coordenador da Central de Transplante de Sergipe, Benito Oliveira Fernandez, a fila de transplantes é cadastrada por Estado. “Em Brasília, existe uma Central Nacional, localizada no aeroporto, que gerencia a questão das urgências. Lá são avaliados os casos mais graves e são organizadas as equipes de captação dos órgãos necessários para que sejam realizados os transplantes”, explica.

Em Sergipe, atualmente existem 598 pessoas à espera de transplantes, sendo 320 para córneas e 248 para rim. Já foram realizadas 42 cirurgias de transplantes, sendo 31 de córnea e 11 de rim.

 


 

Depois do transplante, Osmar decidiu levar esperança a outras pessoas. ”Após a cirurgia retornei a Sergipe e me juntei a outro amigo transplantado e criamos a Associação Ombro Amigo, com o objetivo de apoiar pessoas transplantadas, ou que estejam na fila aguardando”, conta. “É uma situação muito penosa e ter o apoio de um Ombro Amigo faz toda a diferença”, finaliza.

Vida nova
E foi graças a uma doação que a vida de Osmar Ramalho Figueiredo deixou de ser um drama e ele reencontrou a alegria de levar uma vida normal. “Tem mais de cinco anos que recebi um fígado. Entrei na fila em São Paulo, no hospital da Beneficência Portuguesa, pois a fila é única. Passei quatro anos esperando a minha vez. Mas surgiu uma equipe em Recife e um amigo me avisou que poderia fazer o transplante por lá. Então me transferi para Recife. Embora estivesse com cirrose, consegui resistir na fila por um bom tempo. Até que chegou o momento do transplante, em outubro de 2002”, recorda.

                                                                            
 

 

 

A Associação Ombro Amigo funciona na Av. Hermes Fontes, 473, A, em Aracaju.
 
 
 
 
 
 
 
  

 
Autorização
É a família que autoriza a doação de órgãos, bem como quais órgãos serão doados. “Normalmente a família costuma doar todos. Mas é bom esclarecer que existe uma lei que garante que o cadáver não pode ser deformado e isso é respeitado”, evidencia Benito Oliveira.

Após a autorização da família, antes de retirar qualquer órgão, são realizados diversos exames clínicos, afim, de ter certeza de que o doador está apto para tal procedimento.

Somente com a morte encefálica é que pode haver doação de órgãos. No caso de cadáver com coração parado, somente é possível a retirada de tecidos para a doação.

 
Captação de órgãos
Em Sergipe estão cadastrados para retirada de órgãos os hospitais Cirurgia e São Lucas. Já para transplantes estão habilitados além do Cirurgia e São Lucas, os hospitais João Alves e Universitário. Os cadastros dos estabelecimentos e médicos credenciados são renovados a cada dois anos.


No caso de captação em um hospital não credenciado é feita uma solicitação de emergência, para que o Ministério da Saúde possa reembolsar as despesas que o hospital gastou com os procedimentos para a retirada do órgão ou órgãos.

“Dentro do processo de captação de órgãos existem várias etapas e por isso, precisamos sensibilizar também a classe médica, já que ela está de posse das informações e andamento do quadro de cada paciente terminal. Se, por exemplo, um paciente tiver morte cardíaca e não formos comunicados em até seis horas a possibilidade da retirada das córneas fica descartada. Hoje temos cerca de 320 pessoas à espera de córneas e todos os dias estamos enterrando centenas delas”, desabafa o coordenador.


Transplantes de ossos
Sergipe não realiza captação, mas está apto a realizar transplantes. Ou seja, se o receptor receber os ossos de um doador de outro estado a cirurgia pode ser realizada em hospitais sergipanos. ”No caso de transplantes de ossos, a sua maioria acontece com ossos inteiros ou pequenos pedaços, que são utilizados como enxerto. O que se destaca em cirurgias como essa é uma melhor recuperação por parte de quem recebeu o transplante”, avalia Benito.
 
 
 
Comissão para Doação e Transplantes
“Existe uma portaria do Ministério da Saúde que diz que hospitais com mais de 80 leitos devem ter uma Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes. Infelizmente, muitas vezes essa comissão existe somente no papel, mas na prática ela não funciona. Se as Comissões existissem dentro dos hospitais o processo de doação seria agilizado”, alerta o coordenador da Central de Transplantes de Sergipe.
 
 
Quem não pode
Não podem ser doadores pessoas que tiveram algum tipo de doença infecto-contagiosa. 
  
O que fazer para ser doador
O ideal é que se informe a família sobre o desejo de ser doador.
  
Com quem falar em Sergipe
A Central de Transplantes de Sergipe funciona 24 horas através dos telefones: (79) 3259-3491/2899.

 

projetoajude
1/6/2007 14:31:52 atualizado em 16/8/2007 13:18:13
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