A revolução dos transplantes

4 de abril de 2009

Os transplantes estão entre os procedimentos mais complexos e fascinantes da medicina. A doentes que já esgotaram todas a chances de cura para seus males, hoje é oferecida a possibilidade de substituir, além do coração, rim, fígado, pulmão, pâncreas, intestino, córneas, medula óssea, pele, valva cardíaca, ossos, e esclera ocular. Setenta cirurgias do gênero são realizadas todos os dias no país – o que representa um aumento de 10% de 2007 para 2008.

Esses números só não são maiores porque, não bastasse o fato de as doações serem em quantidade insuficiente, o sistema de captação e distribuição de órgãos no Brasil é falho. Para contemplar os 70.000 brasileiros à espera de um transplante, seria necessário setuplicar o número de doadores.

Apesar desses problemas, os transplantes salvam todos os anos a vida de cerca de 5.000 brasileiros. Indiretamente, no entanto, eles beneficiam um contingente muito maior de pessoas – impossível de ser mensurado. Isso porque, para garantir a sobrevivência dos pacientes transplantados, foi necessário esmiuçar ainda mais o funcionamento do corpo humano, refinar e inventar técnicas cirúrgicas e aprimorar e desenvolver remédios antirrejeição.

De tais pesquisas resultaram descobertas valiosas para as mais diversas especialidades – da cardiologia à imunologia, da medicina intensiva à infectologia. “Nenhum outro procedimento influenciou tantas áreas médicas quanto os transplantes”, diz o cirurgião hepático Silvano Raia, professor emérito da Universidade de São Paulo.

Rejeição – Em que pesem todos os avanços, a rejeição continua a ser o grande desafio da medicina dos transplantes. A descoberta, nos anos 80, de imunossupressores mais preciosos e potentes significou uma revolução, ao aumentar a sobrevida dos operados. Mas ela ainda está longe do ideal. A solução pode vir dos estudos sobre imunorregulação. Os especialistas buscam um composto capaz de evitar a rejeição sem que seja necessário deprimir o sistema imune do paciente.

Há também, é claro, a aposta na terapia com células-tronco. Com elas, chegaria ao fim o problema da rejeição, uma vez que órgãos e tecidos criados em laboratório poderiam ser programados com a genética do paciente. As células-tronco devem transformar os transplantes – do modo como conhecemos hoje – em coisa do passado.

Fonte:
http://veja.abril.com.br/noticia/ciencia-saude/revolucao-transplantes-432922.shtml
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